Como fazer o dimensionamento da Brigada de Incêndio?

Dimensionamento da Brigada de Incêndio: como calcular corretamente e evitar autuações

Na minha vivência como profissional de SST, percebo que muitas empresas subestimam o papel estratégico da brigada de incêndio. Essa negligência pode custar caro – não apenas em multas, mas em vidas. Se você ainda vê a brigada como uma formalidade para o AVCB, este artigo é para você.

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Por que o dimensionamento é tão importante?

O dimensionamento correto da brigada de incêndio é uma exigência legal prevista na IT-17/2025 do Corpo de Bombeiros de SP, sendo fator determinante para a obtenção ou renovação do AVCB. Um erro nesse cálculo pode gerar autuações, reprovação na vistoria e, mais grave, comprometer a segurança das pessoas.

Como identificar o grau de risco da ocupação?

Para aplicar corretamente a tabela de dimensionamento da IT-17, é essencial saber qual o grau de risco da edificação (baixo, médio ou alto). Veja como determinar:

1. Classifique o tipo de ocupação

Consulte o Anexo A da IT-17/2025, que apresenta os grupos e divisões de ocupação. Exemplos:

  • Grupo A: Residencial (ex: A-2 = edifícios residenciais)

  • Grupo B: Saúde e assistência (ex: B-2 = hospitais)

  • Grupo C: Comercial (ex: C-3 = shopping centers)

  • Grupo D: Escritórios (ex: D-1 = administrativos)

  • Grupo I: Industrial (ex: I-3 = processos de risco elevado)

2. Verifique a descrição correspondente à atividade-fim da edificação

Cada divisão traz uma descrição técnica. Escolha a que melhor representa a função principal do local. Se a edificação for mista (ex: lojas e escritórios), calcule separadamente para cada tipo de ocupação.

3. Confira o grau de risco definido na IT-17

Na própria tabela do Anexo A, a norma já classifica o risco como:

  • Baixo

  • Médio

  • Alto

Exemplos:

  • C-3 (Shopping Center): risco médio

  • I-3 (Indústria perigosa): risco alto

  • D-1 (Escritório): risco baixo

4. Atenção a fatores agravantes ou atenuantes

A norma permite ajustes no grau de risco com base em:

  • Presença de produtos inflamáveis

  • Fontes de calor/ignição

  • Alta densidade de ocupantes

  • Histórico de emergências no local

Em caso de dúvida, recomenda-se laudo de profissional habilitado (engenheiro ou técnico de segurança) com justificativa técnica aceita pelo Corpo de Bombeiros.

Etapas para dimensionar a brigada de incêndio corretamente

1. Identifique o grupo e divisão de ocupação

A edificação deve ser classificada segundo sua finalidade: comercial, industrial, educacional, serviços, etc. A IT-17 traz uma tabela com todos os grupos e divisões (Anexo A).

2. Determine o grau de risco da ocupação

Pode ser baixo, médio ou alto. O grau de risco influencia diretamente a quantidade de brigadistas e o nível de treinamento exigido (básico, intermediário ou avançado).

3. Calcule a população fixa por pavimento e por turno

A IT-17 exige que o cálculo seja feito por pavimento e considerando os diferentes turnos de trabalho. É a população presente no local durante cada período.

4. Aplique a Tabela A.1 (IT-17/2025)

Essa tabela define o número mínimo de brigadistas por grau de risco, população e pavimento. Em geral:

  • Risco baixo: 1 brigadista a cada 20 pessoas acima de 10

  • Risco médio: 1 brigadista a cada 15 pessoas acima de 10

  • Risco alto: 1 brigadista a cada 10 pessoas acima de 10

A tabela também define um número inicial base para populações até 10.

5. Some os brigadistas de todos os turnos e pavimentos

O total da brigada deve refletir a soma por período e andar, sempre mantendo distribuição estratégica.

Exemplos práticos de dimensionamento

Exemplo 1: Indústria (Divisão I-3, risco alto)

  • População fixa diurna: 80 pessoas

  • População fixa noturna: 20 pessoas

Período diurno:

  • Até 10 pessoas: 8 brigadistas (base)

  • Excedente: 70 pessoas / 10 = 7 brigadistas

  • Total: 8 + 7 = 15 brigadistas

Período noturno:

  • Até 10: 8 brigadistas

  • Excedente: 10 / 10 = 1 brigadista

  • Total: 8 + 1 = 9 brigadistas

Total da edificação: 24 brigadistas

Exemplo 2: Escritório administrativo (Divisão D-1, risco baixo)

  • População fixa: 25 pessoas

  • Até 10 pessoas: 2 brigadistas

  • Excedente: 15 / 20 = 0,75 → 1 brigadista

  • Total: 2 + 1 = 3 brigadistas

Exemplo 3: Shopping Center (Divisão C-3, risco médio)

  • População fixa total: 367 pessoas (administração + lojas)

  • Até 10: 8 brigadistas (base)

  • Excedente: 357 / 15 = 23,8 → 24 brigadistas

  • Total: 32 brigadistas

Cuidados especiais com o dimensionamento

  • A brigada deve estar distribuída por todos os pavimentos e turnos.

  • Ocupações mistas devem ter cálculo separado por tipo.

  • Bombeiros civis podem ser incluídos se atenderem às exigências da IT.

  • A cada alteração de 50% dos membros, o atestado deve ser renovado.

Dimensionar corretamente a brigada de incêndio é um compromisso com a segurança e a legalidade. Utilize sempre a IT-17/2025 como referência, registre as alterações e mantenha a brigada treinada e atualizada.

Perguntas e Respostas - Dimensionamento da Brigada de Incêndio

1. Qual norma define o dimensionamento da brigada?
A Instrução Técnica nº 17/2025 do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo.

2. Como saber o grau de risco da minha edificação?
A classificação é feita com base na atividade, conforme tabelas da IT-17.

3. Posso usar bombeiros civis no lugar de brigadistas?
Sim, desde que estejam credenciados conforme as exigências da norma.

4. Qual o número mínimo de brigadistas?
Depende do grau de risco, do número de pessoas e da divisão de ocupação.

5. E se minha empresa tiver três turnos?
O cálculo deve ser feito separadamente para cada turno.

6. O que acontece se a brigada estiver incompleta?
A empresa pode ter o AVCB negado ou ser autuada em caso de sinistro.

 

Ewerton Possato

Especialista em Segurança do Trabalho