Como Reduzir Acidentes do Trabalho em 2026

Por que a maioria das ações de SST não reduz acidentes?

Na minha vivência como profissional de SST, vejo muitas empresas “fazendo segurança”, mas poucas realmente gerenciando segurança.

Elas:

  • treinam, mas não controlam riscos;

  • entregam EPIs, mas não eliminam perigos;

  • investigam acidentes, mas não aprendem com eles.

Reduzir acidentes não é um conjunto de ações isoladas, é um sistema de gestão integrado, sustentado por método, dados e comportamento.

Caro leitor, se quiser entender a relação entre as NRs. De uma lida nesse artigo, tenho certeza que não irá se arrepender: os melhores livros de Segurança do Trabalho para 2025.

CAMADA 1 – ESTRATÉGIA: ONDE AS EMPRESAS DE ALTA PERFORMANCE COMEÇAM

 

1. Redução de Acidentes Começa na Governança (Alta Direção)

Empresas com baixos índices de acidentes tratam SST como valor organizacional, não como custo.

Boas práticas observadas no mercado:

  • Política de SST assinada e praticada pela direção

  • Metas de segurança no mesmo nível de metas produtivas

  • Decisões operacionais considerando risco, não só prazo e custo

Base legal:

  • NR-01 (responsabilidade do empregador)

  • ISO 45001 – liderança e comprometimento

Erro comum: delegar segurança exclusivamente ao SESMT.


2. Definição Clara do Nível de Risco Aceitável

Empresas maduras definem o que é risco aceitável e o que não é.

Isso envolve:

  • matriz de risco bem definida;

  • critérios claros de severidade (morte, amputação, invalidez);

  • tolerância zero para riscos críticos sem controle.

 Não existe redução de acidentes sem critérios objetivos de decisão.


3. Integração da SST com o Negócio

Redução de acidentes acontece quando SST está integrada a:

  • manutenção;

  • engenharia;

  • compras;

  • RH;

  • planejamento operacional.

Exemplo prático:

Comprar equipamento mais barato, sem proteção adequada, aumenta risco e custo futuro.

CAMADA 2 – TÁTICA: PROCESSOS QUE REALMENTE REDUZEM ACIDENTES

4. Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) em Nível Avançado

Aqui está o coração da prevenção.

O que o mercado faz de diferente:

  • inventário de riscos por atividade (não genérico);

  • avaliação considerando exposição real, não teórica;

  • revisão após acidentes, quase acidentes e mudanças.

NR-01 exige isso, mas poucas empresas aplicam corretamente.

Boas práticas adicionais:

  • cruzar riscos do PGR com dados de acidentes;

  • priorizar riscos de alto potencial (fatalidades).


5. Controle de Riscos pela Hierarquia de Medidas

Empresas eficazes não começam pelo EPI.

Hierarquia correta:

  1. Eliminação do risco

  2. Substituição

  3. Medidas de engenharia

  4. Medidas administrativas

  5. EPI

Erro recorrente: “resolveu com EPI” sem analisar alternativas técnicas.


6. Gestão de Mudanças (MOC – Management of Change)

Muitos acidentes graves ocorrem após:

  • mudança de processo;

  • equipamento novo;

  • alteração de layout;

  • troca de equipe.

Boas práticas:

  • análise de risco antes da mudança;

  • atualização do PGR;

  • treinamento específico.

Pouco aplicada no Brasil, mas extremamente eficaz.


7. Investigação Profunda de Acidentes e Quase Acidentes

Empresas de referência:

  • investigam quase acidentes com o mesmo rigor dos acidentes;

  • utilizam métodos estruturados (Árvore de Causas, Tripod Beta);

  • focam em falhas do sistema, não em erro humano isolado.

Erro comum: parar na causa imediata.

CAMADA 3 – OPERACIONAL: FERRAMENTAS QUE FUNCIONAM NO CHÃO DE FÁBRICA

8. APR Integrada ao Planejamento da Atividade

APR eficiente:

  • feita antes da atividade;

  • com participação do executante;

  • focada nos riscos críticos do dia.

Boas práticas avançadas:

  • APR dinâmica (revisada durante a atividade);

  • integração com Permissão de Trabalho (PT).


9. Permissão de Trabalho (PT) para Atividades Críticas

Usada para:

  • trabalho em altura;

  • espaço confinado;

  • energia perigosa;

  • atividades simultâneas.

Uma PT eficaz:

  • bloqueia início da atividade sem controles;

  • exige verificação em campo;

  • tem validade limitada.


10. Observação de Segurança Baseada em Comportamento (BBS)

Ferramenta madura de mercado.

O foco é:

  • observar tarefas reais;

  • reforçar comportamentos seguros;

  • identificar desvios antes do acidente.

Não é fiscalização nem punição.


11. Indicadores Proativos (Leading Indicators)

Empresas que reduzem acidentes não olham só para números de acidentes.

Indicadores avançados:

  • % de APR realizadas corretamente

  • nº de quase acidentes reportados

  • tempo médio de fechamento de ações

  • inspeções realizadas vs. planejadas

Isso permite antecipar acidentes, não reagir.


12. Digitalização da SST (com Critério)

Ferramentas digitais funcionam quando:

  • simplificam processos;

  • geram dados confiáveis;

  • ajudam na tomada de decisão.

Exemplos de uso eficaz:

  • registros rápidos de incidentes;

  • dashboards de risco;

  • controle de ações corretivas.

Erro comum: digitalizar bagunça.

O que realmente reduz acidentes do trabalho?

Redução consistente de acidentes só acontece quando a empresa:

  • trabalha sistema, não ações isoladas;

  • prioriza riscos de alto potencial;

  • envolve liderança e operação;

  • aprende com erros antes que virem acidentes.

Segurança eficaz é disciplina operacional aplicada à proteção da vida.

Ewerton Possato

Especialista em Segurança do Trabalho